Sopa de Letras 1 | Com Salvador e Mariana

29 setembro 2017


Hoje chega a primeira edição de uma rúbrica muito especial do blog: a Sopa de Letras. Aqui vamos abrir a porta do Palavra-padrão a convidados muito diferentes, mas com algo em comum: todos eles têm um interesse ou paixão que os move, e irão partilhá-lo através das palavras numa entrevista -conversa(escrita).
O mote para esta troca de palavras, como não poderia deixar de ser, são elas próprias, desta vez organizadas numa Sopa de Letras feita à medida para os nossos convidados! 

Fiquem então com a primeira Sopa de Letras, à conversa com o Salvador e a Mariana do blog Olhares Dispersos


Olá Mariana e Salvador! Antes de começarmos, gostaria de vos agradecer por terem aceite este desafio. A minha intenção, como já vos expliquei antes, é reunir uma série de pessoas muito diferentes mas que têm algo em comum: uma paixão, um interesse que as mova, e que no fundo, as distinga e caraterize. Pensei em vocês por diversas razões, e vamos lá mostrar aos palavreiros quais são elas! 

1. Como tenciono fazer sempre nesta rúbrica, em vez de ser eu a apresentar-vos, gostariam de explicar aos leitores quem são, afinal, o Salvador e a Mariana?

Salvador: São duas pessoas apaixonadas pela vida e pela natureza, desejosos de ter oportunidade de viajar e conhecer tudo e mais alguma coisa, que se conheceram na universidade, graças ao gosto em comum pela natureza e biologia em geral.
Mariana: O Salvador e a Mariana são dois pequenos sonhadores perdidos neste mundo maluco. E, como o Salvador adora dar spoilers a ele próprio e aos outros, leu todas as perguntas antes de começar a responder e fez questão de me dizer quais eram. Por isso, se querem saber quem somos, basta lerem o resto desta entrevista. Uma boa parte de nós está presente nela!

2. Para a sopa de letras desta 2ª edição da rúbrica, escolhi umas quantas palavras que associo a vocês. Conseguiram encontrá-las todas? Se sim, o que têm a dizer sobre as palavras que vos escolhi? 

Não conseguimos encontrar todas, falta-nos uma. Mas as que encontrámos encaixam-se que nem uma luva! Cada uma delas reflete uma parte de nós e, quando agrupadas, formam um resumo do que, para nós, é essencial para uma grande aventura: a aventura da vida, o nosso futuro.

3.  Se fossem vocês a escolher as palavras que vos definem, quais seriam? Por que razão?

Começaríamos, sem qualquer dúvida, pela palavra “sonhadores”, pois é graças aos nossos pequenos sonhos e desejos que continuamos a lutar pelo que mais gostamos, mesmo que as probabilidades estejam contra nós. Portanto, abraçada a esta escolheríamos “determinação”, pois sem ela não teríamos chegado até aqui e, provavelmente, não nos teríamos conhecido.
De resto, faríamos das tuas palavras as nossas.

4. Têm uma palavra favorita? Se sim, qual?

Salvador: “Essência”. Porque tudo o que vejo e tudo o que faço tem uma razão de ser, tem uma essência. E é isso que me cativa e incita a pensar e refletir sobre as coisas.
Mariana: Sinceramente não sei. Nunca pensei muito sobre isso. As palavras são, muitas vezes, apenas isso: palavras. De tantas vezes serem repetidas perdem o significado. Por isso, na maioria das vezes, prefiro os atos, por muito pequenos que possam ser.

4.1. E a palavra que menos gostam? Porquê? 

Salvador: “Não”. Com esta simples palavra temos o poder de anular uma possibilidade que, na maioria das vezes, é tão simples como dizer “não”. E outras tantas vezes anula a possibilidade de tentar. Convencemo-nos de que “não conseguimos porque é impossível” e não nos damos ao trabalho de experimentar, de forçar e quebrar novas barreiras.
Mariana: “Mentira”. Esta é a palavra que menos gosto, principalmente porque tem a peculiaridade de se transmutar em atos. Mentimos por interesse, mentimos porque “é mais fácil” fazê-lo do que confrontar as coisas e encarar tudo de frente. Vivemos numa sociedade em que a mentira é encarada como inócua, dizendo que “é necessária” numa boa parte das vezes. Mas esquecemo-nos que o que aprendemos desde pequeninos é, precisamente, a não mentir. Mentimos e enganamos porque nos convém e para nosso próprio benefício, enquanto deveríamos focar-nos em trabalhar em conjunto para construir ou, no mínimo, manter o nosso mundo unido e, de preferência, em boas condições.

5. Falem-nos um pouco sobre o vosso blog. O que carateriza esse vosso espaço e o que consideram ser a grande marca distintiva do mesmo?

O que mais nos caracteriza é, talvez, o facto de nos limitarmos a escrever sobre as coisas que mais gostamos. Somos sinceros e queremos partilhar as nossas perspetivas e opiniões.
A grande marca distintiva é, provavelmente, a inserção de uma parte da nossa área, a Biologia, numa grande parte das publicações. Esforçamo-nos por incluir assuntos desta área para que eles se possam tornar menos abstratos e sejam mais facilmente compreendidos, bem como aplicados, por vezes, nas várias situações do quotidiano, porque a biologia está sempre presente.

6. Contem-nos lá: se pudessem escolher, qual seria a vossa aventura de sonho? Onde iriam e o que gostariam de fazer por lá?

A grande aventura seria, precisamente, ver o maior número de locais possível, quer fossem cidades cheias de gente ou florestas e montanhas no meio de nenhures. Se pudéssemos, não escolheríamos um local, escolheríamos a melhor maneira de os ver a todos e registar todas as suas particularidades nas diferentes áreas: na biologia, fotografia, cultura e muitas outras.
O mais importante era continuar em movimento e em crescimento com tudo o que este planeta nos pode ensinar. 

7. Natureza, animais, meditação, leitura, biologia, japonês, fotografia… estes são apenas alguns dos vossos interesses dos quais eu tenho conhecimento. Conseguem encontrar uma linha que os ligue a todos? De onde foram surgindo e que formas têm encontrado para os conciliar a todos? 

A natureza, os animais e a biologia podemos agrupar num só, pois todos fazem parte da mesma rede.
A fotografia vem por atrelado ao grupo anterior, pois temos o gosto e a necessidade de documentar uma grande parte das situações. Sempre gostámos de fotografar, mas esta paixão tem-se vindo a intensificar quando os alvos são, numa grande parte, seres vivos ou paisagens, tudo diretamente relacionado, mais uma vez, com a biologia.
Salvador: A meditação e o japonês sempre me acompanharam, desde pequeno. A cultura oriental sempre me fascinou, daí ter aprendido japonês e a meditação era uma forma de me ligar ainda mais com a natureza. Aos poucos fui partilhando esse “bichinho” que tinha dentro de mim com a Mariana, o que se mostrou ser uma tarefa fácil, pois ela sempre se apresentou entusiasmada e curiosa.
Mariana: Desde pequena que gosto de ler, não me lembro de alguma vez não o ter feito. A verdade é que sempre tive influências tanto para ler como para escrever e, com o passar do tempo, ganhei hábitos que nunca mais fui capaz de perder. Se não puder andar com um livro atrás sinto-me incompleta, demasiado leve. Portanto, como era de esperar, quem anda comigo tem duas opções: ou lê também, ou vai ser chateado todos os dias para o fazer. Por isso, depois de tanto insistir, acabei por convencer o Salvador a dar uma oportunidade à leitura e ele acabou por gostar.

7.1. Como iniciante ao Mandarim e amante assumida da cultura asiática, não podia deixar de perguntar: como é estudar Japonês? O que mais gostam nesta língua e qual é, na vossa opinião, a maior dificuldade que têm sentido? Além disso, é claro, porquê o Japonês?!

Salvador: Esta pergunta é basicamente dirigida a mim. O pouco que a Mariana sabe sobre o Japonês foi incutido por mim. Não que ela não quisesse saber mais, apenas não tivemos o tempo para exercitar e desenvolver. Não sei explicar ao certo o porquê do Japonês, mas é o povo asiático que, para mim, tem a capacidade de transmitir mais sentimento através das palavras. Sei que todos os povos asiáticos têm o seu lado sentimental e mítico, mas o Japonês é o que mais me atrai. Provavelmente acabei, também, por ser algo influenciado pela presença dos animes e mangas na nossa cultura, intensificando a minha curiosidade e interesse por esta língua.
Além disso, tenho algum conhecimento sobre as lendas e história japonesas. Pensando bem, todo o meu interesse veio precisamente daí, dos samurais, da sua postura e valores, bem como a “magia” das suas katanas. Estudar Japonês não é nada difícil, só requer um treino contínuo e uma mente aberta para a escrita. De resto é muito engraçado de aprender e fico muito contente por ter conseguido mostrar isso à Mariana.

8. Falemos agora de padrões. Qual o vosso padrão favorito?

Salvador: Se tivesse de considerar um padrão favorito ia muito longe: o padrão da lua ou das auroras boreais. Este segundo pode não parecer um padrão, mas tem uma forma característica.
Mariana: Não sou capaz de indicar um padrão favorito, o mundo está repleto de padrões. O que seria de nós se tivéssemos de escolher apenas uma coisa de cada categoria? Nem conseguíamos, sequer, pensar em todas as categorias, muito menos dar uma resposta única para cada uma delas.
No entanto, diria que os melhores padrões são, com certeza, os naturais. Aqueles que conseguimos ver se prestarmos atenção, se realmente nos concentrarmos em ver o que existe por si só, se necessidade de fazermos alterações ou melhorias.

9. Agora, como será usual nesta rúbrica, peço-vos que partilhem connosco uma história. Sou uma apaixonada por recolher testemunhos e memórias, e por isso lanço-vos o desafio de partilharem aqui uma história de algo que tenha acontecido com vocês ou com alguém que conheçam, uma história de amor, de aventura, de comédia, como quiserem, mas que por alguma razão vos marcou e gostassem de partilhar. 

Mariana: Provavelmente uma das aventuras que mais nos marcou foi o dia em que fomos buscar o Maru, o nosso bichano branquelas.
Eu andava há mais de um ano a fazer o fadinho aos meus pais para me deixarem ter um cão e, até ao verão passado, achava que nunca iria ser possível. No entanto, e com a ajuda do Salvador, acabámos por conseguir convencê-los.
Fomos todos juntos, de carro, buscá-lo a Vale de Cambra. A primeira reação que tive ao vê-lo foi de surpresa, só pensei “com quase dois meses já tem aquele tamanho todo? E é tão gordo? Parece um leitão!”. Fui a primeira pessoa a pegar nele e, ao contrário do que esperava, ele não ladrou nem guinchou. Apenas apoiou as patas nos meus ombros e dedicou-se a lamber-me a bochecha e a orelha.
Depois da viagem de regresso a casa, em que ninguém conseguia parar de olhar para ele e de lhe fazer festinhas, quisemos ver a reação dele à nossa casa e, mais uma vez, surpreendeu-nos. Correu uma maratona no jardim e fez de todos os pedaços de madeira que encontrou o seu brinquedo.
Agora, um ano depois, posso dizer, sem dúvida, que foi das melhores coisas que já me aconteceu na vida.
Salvador: Este jovem canídeo fez com que dormíssemos no chão da sala com ele, durante um mês, com medo de ficar sozinho! Apesar de muito cansativo, foi super engraçado para mim porque pude estar quase ao mesmo nível de sono que ele, brincar a meio da noite, ou agarrá-lo para junto de mim para parar de chorar. Cresceu muito bem, apesar de só querer fazer traquinices, como é normal. Se ficasse ainda maior, nem quero imaginar que mais asneiras podia fazer.
Ele é um destruidor fenomenal! 
Não me vou alongar muito mais, mas deixo-vos já com o aviso: Não digam a palavra “passear”, não lhe faça muitas perguntas, não vistam roupa de exercício ou peguem em mochilas! Se fizerem alguma destas coisas, ganharam uma viagem à rua para um senhor passeio de lavrar terras!

10. Por fim, mas não menos importante, acredito que se conhece muito sobre as pessoas pelas perguntas que fazem, mais até do que pelas respostas que dão. Assim, a fechar a sopa de letras, gostava que lançassem uma pergunta. Não importa sobre quê, ou se terá sequer resposta, apenas estou curiosa por saber qual a interrogação que gostariam de deixar aqui. 
Uma boa questão seria, talvez: Porquê os padrões? O que é que os torna tão especiais para ti?

(Off) 
Antes de mais, não poderia deixar de agradecer ao Salvador e à Mariana por terem aceite este desafio. Espero que se tenham divertido, porque no fundo é mesmo isso que queremos! Agora, em resposta à pergunta que me deixaram...
Daniela: Como a Mariana referiu, e muito bem, há padrões em tudo, e encanta-me descobri-los. Sejam produzidas pela natureza ou pelo homem, é bonito pensar que há milhões de combinações visuais que nem sempre são óbvias, mas que estão ali, e se pensarmos sobre elas, o mundo torna-se um bocadinho mais desafiante a cada dia. No fundo, o que torna os padrões especiais para mim é isso mesmo, a beleza, a espontaneidade, a simplicidade (ou o detalhe, em alguns casos), e sobretudo, o facto de me despertarem a atenção para o quotidiano. 



Resolução: Natureza; Lobo; Animal; Biologia; Fotografia; Explorar; Aventura



Beijinhos
Daniela

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