Sopa de Letras 2 | Com Sofia Medeiros

07 novembro 2017


Estamos de volta para mais uma edição da Sopa de Letras! 
Desta vez temos a Sofia, uma palavreira cheia de energia e boa disposição com uma paixão muito curiosa! Venham descobrir qual é!

Para quem não está por dentro desta brincadeira, aqui vamos abrir a porta do Palavra-padrão a convidados muito diferentes, mas com algo em comum: todos eles têm um interesse ou paixão que os move, e irão partilhá-lo através das palavras numa entrevista -conversa(escrita). O mote para esta troca de palavras, como não poderia deixar de ser, são elas próprias, desta vez organizadas numa Sopa de Letras feita à medida para os nossos convidados! 


Olá Sofia! Antes de mais, obrigada por teres aceite fazer parte desta “brincadeira”. O propósito desta sopa de letras do palavra-padrão é reunir uma série de pessoas que, de uma forma ou de outra, me inspiram através das suas paixões muito próprias e interesses que as definem. Tu tens uma paixão que, a meu ver, é bastante interessante...estás pronta para a partilhar com os palavreiros? 

1.  Em primeiro lugar, como não gosto de apresentar ninguém, queres colocar-te à frente de um espelho de palavras e dizer-nos quem é, afinal, a menina que te aparece? 

A menina que me aparece está a rir-se. O que é, provavelmente, muito bom sinal, tendo em conta que este sorriso surge depois de ler a introdução a esta entrevista! O meu espelho de palavras parece-me um pouco embaciado, provavelmente porque ainda estou a procurar definir-me. Vejo uma mulher destemida mas preocupada, sensível mas forte, otimista mas com noção da realidade, curiosa mesmo sabendo que há coisas que não vai conseguir entender, com muito mau-feitio no que toca à teimosia, orgulhosa mas pronta a ceder perante aquilo que realmente é importante, amiga e carinhosa (mesmo sendo um bocadinho bruta e desastrada), organizada, empenhada e dedicada. Sou muito complexa enquanto pessoa, mas no fim de tudo penso que sou uma rapariga confiante e com um bom sentido de humor, pronta para defender aquilo em que acredito. 

2. Para a nossa sopa, escolhi algumas palavras que tenho em mente quando penso no pouco que vou sabendo de ti - o Facebook tem destas coisas giras! O que achaste delas? Foi um julgamento bem feito, ou nem por isso?!

Achei que todas elas foram ótimas escolhas. É verdade que adoro sonhar, mas procuro manter um equilíbrio entre aquilo que é possível e aquilo que é improvável. O taekwondo tem um papel heroico na minha história e, portanto, já faz parte da minha pessoa. A natureza, para mim, representa um elemento em absoluta harmonia; quando estamos em contacto com a natureza podemos partilhar um bocadinho dessa harmonia e isso é uma experiência incrível, sendo que, sem dúvida nenhuma, eu sou completamente apaixonada pelo mar. A amizade, para mim, é uma ligação que vai além das expectativas de qualquer um; quando verdadeira é uma ancora que nos segura à vida, dá sentido e propósito às nossas decisões, é ponto de partida e chegada, ajuda-nos a voar estando sempre lá caso o voo não corra bem, é um condimento crucial para dar sabor ao nosso percurso. 
Portanto sim, foi um julgamento bem feito!

3.  Agora é a tua vez: conta-nos lá quais são as tuas palavras? Aquelas que te definem, aquelas que pensas que foram mesmo feitas à medida para ti...

Adoro palavras, principalmente aquelas que podes usar em múltiplos sentidos. As minhas palavras, não copiando as que selecionaste para mim, são: aventura, brincadeira, doçura, pessoas, coragem. 

4. Há um daqueles “questionários” (nem sei como chamar aquilo) no Facebook que contabilizam as palavras que as pessoas mais usam naquela rede social. Por razões óbvias, adorei esta ideia, e queria agora desafiar-te a pensar sobre isso: quais são as palavras que mais dizes no dia-a-dia? 

Esta pergunta é complicada porque eu falo muito, digo muitas palavras no meu dia-a-dia. Acho que as palavras/expressões que mais digo são, provavelmente, “sim”, “obrigada!”, “desculpa”, “vamos lá!”, “vai ficar tudo bem”. 

5. Se pudesses apagar uma palavra do dicionário, qual seria? 

Se pudesse apagar uma palavra apagaria a palavra impossível. Não existem coisas impossíveis, existem coisas improváveis quanto muito. Acredito que a partir do momento em que criamos a ideia e a expressamos, a partir do momento em que a palavra é formada e a imagem é transmitida, essa mesma “coisa” deixa de ser impossível porque somos capazes de pensar nela.  

6. Agora, sem mais demoras, vamos revelar o teu tal interesse misterioso...tan tan tan...o Taekwondo! Podes explicar-nos o que é, como e quando surgiu este teu interesse, enfim, tens carta branca para discursar para aí, tenho a certeza que há muito para dizer!

Falar sobre o meu percurso nesta arte é algo emotivo para mim, tem um impacto muito grande na pessoa que sou hoje. O taekwondo surgiu na minha vida há 10 anos atrás, por interveniência da minha mãe que conhecia o meu primeiro mestre. Antes de me iniciar no taekwondo pratiquei vários desportos: natação, ballet, karaté, vólei…mas nenhum foi tão marcante como esta arte marcial. 
Fiz o meu primeiro treino com 12 anos, e todo o mundo sabe como esta idade é terrível porque estamos naquela “incrível” fase da adolescência. Agora rio-me com isto, mas recordo-me que, na altura, não achei piada nenhuma; o meu primeiro treino tinha sido de combate (uma das vertentes do taekwondo) e eu não percebia nada do que estava a fazer, era muito tímida e estava intrinsecamente revoltada com o mundo, o universo e qualquer ser humano que eu considerasse incompetente. Lembro-me que detestei o treino e que a única razão pela qual fui ao segundo e terceiro treino, foi porque ia com a minha irmã e não queria desiludir a minha mãe. Tem piada como as situações mudam de forma tão naturalmente que eu não sei especificar quando foi que me apaixonei pelo que estava a fazer. 
Tenho memória de treinos concretos em que o meu mestre, na altura, procurava quebrar o meu mau-feitio obrigando-me a estar exposta perante o grupo na realização de um exercício, ou me obrigava a fazer exercícios de pares com outra pessoa que não fosse a minha irmã, ou me corrigia na forma como falava com ele e impunha regras e disciplina (naturais de uma arte marcial) que na altura eu era incapaz de compreender. Recordo também momentos de grande felicidade quando comecei a conseguir integrar-me no grupo, ganhei amigos para a vida, vivi aventuras que nunca pensei experienciar, ri muito…esta é das minhas melhores memórias relacionadas com o inicio do meu caminho no taekwondo, eu ri muito…deve ter sido aí que me apaixonei. 
Vivi diferentes fases na dimensão desportiva do taekwondo, comecei como atleta de competição de técnica (outra das vertentes do taekwondo) até me ter lesionado e compreendido que a pressão e stress que envolvia a competição não me fazia bem. Depois tirei o curso de árbitra e envolvia-me nas competições dessa forma.
Num dos períodos de mudança nesta dimensão (cerca de cinco anos após ter iniciado), que por esta altura já me era essencial, surgiram algumas complicações que me forçaram a mudar de mestre, de escola, de equipa. No inicio foi extremamente dolorosa esta alteração, hoje sei que foi pelo melhor – conheci a equipa que hoje é como uma família para mim. 
Quando mudei de equipa estava derrotada, era uma atleta lesionada e que não tinha muito para oferecer a uma equipa nova. O mestre que me recebeu, e a equipa que me aceitou sem mais demoras, mostraram-me rapidamente que eu era muito mais que uma lesão – e por incrível que pareça recuperei a 90% das minhas lesões! Treinei muito e com muito prazer (os treinos tornaram-se a melhor parte do meu dia), fiz exame para cinturão negro (1º dan) e continuei a avançar na arte de ensinar os mais novos…hoje sou 2º dan, árbitra, estou envolvida na Associação de Taekwondo Do Porto, com um curso de treinadores grau 1 concluído, a ensinar uma turma de taekwondocas pequeninos e não poderia estar mais feliz!
O taekwondo pode ser definido de muitas formas, a politicamente correta e oficial (que qualquer um pode encontrar na internet) “é uma arte marcial coreana, bastante recente quando comparada com outras artes, que se traduz como o ‘caminho dos pés e dos punhos’, distinguindo-se enquanto desporto pela combinação das técnicas de pernas”, a versão desportiva que engloba a componente da competição e gosta de frisar que somos um desporto olímpico…mas para mim o taekwondo tornou-se parte da minha vida, do meu dia-a-dia, da minha personalidade, há quem goste de fumar um cigarro com o café, eu gosto dos meus treinos ao fim do dia. 

7. Agora uma difícil...E se o sentimento de quando estás a praticar Taekwondo fosse: 

Um cheiro: lar (como aquele cheiro quando entramos em casa da avó e sabemos que estamos em absoluto conforto)
Uma cor: branco (liberdade para sermos a cor que quisermos)
Um sabor: gelado de limão (é doce, mas fresco)
Um som: riso (pura expressão de energia)

8. Como não poderia deixar de ser, qual o teu padrão favorito e porquê?

Não sei se tenho um padrão favorito. Acho que o meu padrão é o liso, deixando liberdade para quem quiser marcar-me de outra forma. 

9. E agora...conta-nos uma história feliz! Não importa se é uma história de amor, de comédia, uma memória, algo que tenhas lido, alguma situação marcante de um familiar ou amigo...enfim, uma história que de alguma forma te tenha marcado e que consideres que é uma pequena prova de que o mundo é um lugar para lá de maravilhoso!

A história mais feliz que tenho dentro da minha pessoa é uma história que ainda não tem fim (e espero que não tenha tão cedo!). É a história sobre como conheci a minha irmã de coração, uma amizade que cresceu e evoluiu de tal forma que hoje é como se fosse minha irmã.
Não tenho espaço para contar toda a história mas posso deixar-vos aqui uma das melhores memórias que tenho com ela e que prova que, se calhar, o mundo não é tão objetivo como pensamos…  
Eu já conheço a Miriam há 12 anos, quase 13, e desde o início que o nosso percurso tem sido uma aventura. Desde cedo começamos a fazer férias juntas, ela vinha comigo e com a minha família fosse para onde fosse, e passávamos uns dias de férias. Numa dessas férias eu e ela estávamos mais “sintonizadas” do que alguma vez tínhamos estados, sabíamos o que a outra ia dizer antes de dizer, dizíamos a mesma coisa ao mesmo tempo, e ríamos muito, muito. 
Um dia estávamos na praia, a regressar do mar para a toalha, e eu começo a cantar uma música (daquelas que cantamos para que nos saiam da cabeça). A Miriam pára, olha para mim de uma forma estranha, não diz nada, e continua a caminhar. Pensei para mim, “bem se ela não gosta desta música vamos pensar noutra”, e comecei a cantar outra música. Ela pára, novamente, e desata a rir! Acontece que, das duas vezes, ela estava a pensar exatamente na mesma música que eu e exatamente no mesmo verso que cantei. Foi um dos momentos mais divertidos que já vivemos, ainda que um pouco “assustador” por não o conseguirmos explicar. 
Tenho várias memórias e histórias assim, com diferentes pessoas em diferentes momentos, e, na minha opinião, são estes pequenos detalhes que dão sabor à vida e tornam a nossa versão do mundo um lugar para lá de maravilhoso.

10. Por fim, como já é costume nesta rúbrica, chega a tua vez de segurar o ponto de interrogação. Acredito que se conhece muito sobre as pessoas pelas perguntas que fazem, mais até do que pelas respostas que dão, e por isso lanço-te o desafio de refletires numa questão à qual gostarias de ter resposta: se fosses uma pergunta, qual serias? 

Eu seria um “Porquê?”

(Off) 
Não poderia deixar de agradecer à Sofia por ter aceite partilhar as suas palavras connosco, e espero que vocês desse lado tenham gostado tanto quanto eu de ler esta conversa! 

Resolução: sonho, equilíbrio, taekondo, amizade, natureza

Beijinhos, 
Daniela.

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