Na ponta da língua | Episódio 1

08 junho 2018

O novo mês traz-nos uma nova rubrica... na ponta da língua! Como amantes das palavras, gostamos de perceber o que por aí se diz, mesmo quando a gente não entende! Por isso surgiu a ideia de entrevistarmos pessoas que tenham contacto com idiomas diferentes e que possam partilhar um bocadinho da experiência que é provar palavras únicas e especiais que não existem na nossa querida língua portuguesa!
Para este primeiro episódio trouxemos a Filipa, uma apaixonada por viagens que não se deixou intimidar pelo idioma Russo!

Antes de mais, obrigada por teres aceite este desafio e espero que sirva para te divertires um pouco! Antes de partirmos para o que está na ponta da língua, gostaria que te apresentasses aos nossos leitores! Quem é a Filipa? O que faz, o que já fez, o que gostaria ainda de fazer? 

Alô. Primeiramente gostaria de dizer que é um prazer fazer parte deste projeto. 
Portanto, a Filipa é uma miúda de 28 anos que desde sempre quis estudar Turismo pelo sonho de viajar. A verdade é que não foi fácil tomar a decisão de o fazer porque acabei por deixar muita  coisa para trás nesta minha grande “viagem” mas a cada dia que passa me sinto mais realizada e completa já que me considero uma pessoa muito curiosa. Como já deve ter dado para perceber, não vivo atualmente em Portugal. Saí do País há cerca de 3 anos e já trabalhei em Espanha e na Holanda – encontrando-me agora em Amesterdão. 
O que gostaria de fazer? Definitivamente conhecer. Continuar a conhecer novas culturas, pessoas, formas de estar e viver.

Sei que não és rapariga de um só idioma, e que já te aventuraste por aí em alguns bem complexos! Partilha lá connosco os idiomas que tens vindo a aprender e aqueles com que já tiveste algum contacto...

Idiomas são conhecimento. São aventuras. 
Não é só o simples facto de te enriquecerem enquanto profissional ou no mercado de trabalho. É bem mais que isso. Para mim sempre foi uma forma de entender raízes que não são as minhas e por isso aventurei-me em duas línguas completamente desconhecidas para mim: o Russo e o Mandarim. 
À parte disso falo Inglês – idioma que agora é o que está mais presente no meu dia-a-dia; Espanhol – que foi o meu idioma diário durante dois anos; e alguma coisa de Francês. 

Confesso que a razão pela qual me lembrei de ti para esta rubrica, foi o facto de saber que estudaste Russo. Como foi o primeiro contacto com esta língua? 

Foi… desafiante. Como referi um dos motivos que me levou a aprender Russo foi a curiosidade – e devo referir que esta não terminou quando vi e percebi a dificuldade imensa que é aprender uma língua como esta: tão diferente e a nível gramatical e a nível de fonética. 
Lembro-me de abrir a minha primeira página do manual e ver um novo alfabeto com 33 letras das quais 10 são vogais, 21 consoantes e 2 sem pronúncia. Foi claramente um desafio! 

Comparativamente a outros idiomas que tens vindo a estudar, como descreverias esta experiência? 

Considero que foi uma experiência enriquecedora. Não só a nível profissional (que permite a valorização do meu CV) mas a nível pessoal. O facto de ser um idioma de difícil aprendizagem permitiu-me explorar e desafiar o meu próprio intelecto. Além disso digamos que o Turismo Russo tem vindo a crescer de forma astronómica e, sendo a sétima língua mais falada no Mundo, dá-me uma vantagem significativa o facto de a ter estudado. Ainda assim é preciso sublinhar que é um idioma bastante complicado dado algumas das suas características.
Vindo de alguém que não é propriamente um às nas línguas, das minhas pouquinhas experiências, fiquei com a sensação de que cada idioma tem quase que uma personalidade e seria possível imaginar como seriam se fossem pessoas. Para mim, se o Inglês fosse uma pessoa,  era um homem dos seus 35 anos, pragmático e terra-à-terra, sem grande paciência para floreados! Já o Mandarim seria uma senhora de idade , dedicada, amorosa e atenta aos detalhes,  mas que ferve em pouca água! Consegues fazer este exercício para o Russo (e outros idiomas com que te tenhas cruzado)? 

Para mim o Russo é um homem com cerca de 40 anos, frio.. distante mas cheio de “camadas” que deixa descobrir quando percebe que pode confiar e dar-se a conhecer. O Russo é complexidade. 
Já o Espanhol é uma figura feminina. Com idade desconhecida, sangue quente nas veias e cheia de orgulho. 

Tens uma palavra favorita na língua russa? E aqui estou a pensar mais em significado.
Qual seria também a tua palavra favorita em relação à sonoridade? Alguma que te dê vontade de rir?!  E uma palavra desfavorita para os dois casos? 

Adoro a forma como se cumprimentam numa situação formal. Para nós um “boa tarde” basta mas, os Russos, usam um “viva” formal para se saudarem - Здравствуйте que é como quem diz “Zdrástvujt´e”. 
A nível de sonoridade gosto da expressão день рождения (den' rozhdeniya) que significa “Aniversário”. 
A única que me dava bastante vontade de rir era привет (pr´iv´et) porque a associava a “pivete” haha e na verdade significa Olá e é uma das palavras mais usadas entre os jovens Russos. 

Já tiveste oportunidade de falar Russo fora do contexto de aprendizagem, isto é, com alguém nativo? Se sim, que tal foi a experiência? 

Sim, no contexto do trabalho. A primeira vez que tentei falar Russo com alguém nativo foi bastante engraçado porque a pessoa pressupôs que eu falava fluentemente, o que não era o caso. Portanto acabou por ser divertido, mas não fui bem sucedida.
Aprendi Russo apenas durante 1 ano e meio e considero que para ter uma conversa fluída precisaria de 4. Vamos ver se num futuro retomo este idioma tão complexo e interessante. 

Fala-nos de como é escrever neste idioma...

É difícil. Bastante complicado dado terem adotado o alfabeto cirílico. E para nos confundirem um pouco mais, têm duas formas de escrever a mesma letra: manual e o chamado “à maquina”. E acreditem que pode ser muito diferente…  

E agora, para terminar, a parte difícil que já é costume neste blog! Se pudesses comparar a língua russa a...

um som.... fósforo a acender
um cheiro... bomba nuclear
uma sensação... tirania.
uma palavra (portuguesa!)... trabalhar  (Só porque tinha um amigo que dizia que esta palavra era a única que unia estes dois Países!)
um padrão... geométrico mas colorido

Bem, é isto! Espero que tenhas gostado e, mais uma vez, obrigada pelo teu tempo! :) 

Obrigada eu pela oportunidade 😊 
поцелуй для тебя
Um beijo!

8 comentários:

  1. Gostei do I episódio, vou ficar atenta aos restantes.
    Bom fim-de-semana

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  2. Muitos parabéns por esta nova rubrica, achei a ideia fantástica, até pela variante tão interessante que conseguiram colocar a um segmento de entrevista *-*
    Adorei esta conversa! Confesso que não me imagino a aprender Russo, precisamente pela sua complexidade, mas até gostava

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  3. Gostei muito de ler esta entrevista.
    Acho o russo uma língua tão complexa, sem dúvida que a Filipa é uma aventureira :)

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  4. Hello,

    Oh, lovely !

    Sarah, http://www.sarahmodeee.fr

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  5. Muito bom. Aprecio quem não tem medo de se aventurar no desconhecido.
    Beijinhos.

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  6. Russo é das línguas mais distantes de nós, talvez pela distância geográfica.

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  7. Gostava de aprender a falar russo, acho que apesar de difícil dever ser muito interessante. Gostei deste segmento! Digo já que as ilustrações são muito fofinhas

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Palavreiro(a), vai em frente, partilha connosco as tuas palavras :)