Troca de cartas - Terapia criativa!

11 outubro 2018

Despertar a criatividade, fortalecer laços, adoptar uma postura mindfulness e ainda treinar competências cognitivas e motoras? Sabemos que parece um anúncio do Mangustão+, mas são apenas algumas das vantagens de recuperar um hábito milenar e super divertido... A troca de cartas!

Quem nunca se perdeu em devaneios oitocentistas enquanto lacra uma carta, saiba que anda a perder uma experiência e tanto.
Esta forma de comunicar que marcou as gerações que nos antecedem, parece agora ultrapassada e pomposa quando comparada com formas de comunicação mais rápidas e eficientes, no entanto, é consensual que pelas suas inúmeras vantagens, deve ser preservada e alimentada  q.b.
Quem nos conhece, sabe que aqui no palavra-padrão somos adeptos fervorosos do universo tecnológico e digital, e deus nos livre de entrarmos aqui num discurso saudosista de como antigamente é que era bom, mas o post de hoje é dedicado a uma reflexão sobre uma das formas mais divertidas e especiais de despertar a criatividade, que só por acaso, vem agarrada a uma série felizes consequências. 

Fotografia tirada para o Beautiful Week de abril

1. Um empurrãozinho à criatividade

Quer se goste ou não de escrever, é irrefutável que as palavras funcionam um pouquinho como o trampolim para qualquer outra prática criativa. É através delas que pensamos e construímos ideias, fazendo pontes entre conceitos, representações e (re)conhecimentos. Por cá, achamos que quanto mais soltamos o músculo das palavras, mais fácil é darmos o pontapé na imaginação, e por isso a escrita funciona, muitas vezes, como desbloqueador de ideias que possam andar a circular na nossa mente, às quais não estamos suficientemente atentos na correria do dia-a-dia.
A ideia de nos sentarmos à secretária e começarmos a escrever pode ser intimidante para alguns de nós, e por isso a  escrita de cartas para pessoas que nos são próximas (ou não!) é uma forma leve e divertida de nos levar a explorar o universo da escrita.   

2. Viagem ao desenvolvimento motor e cognitivo 

Vários estudos internacionais e nacionais (de entre os quais o estudo de Karin James, de 2012, psicóloga da Universidade do Indiana e Virginia Berninger, psicóloga da Universidade de Washington) vieram provar os benefícios da escrita manuscrita.
De acordo com as investigadoras, quando exercemos a escrita manual, não só estamos a desenvolver funções motoras mas também a estimular determinadas partes do cérebro, nomeadamente as relacionadas com a retenção de informação, reconhecimento e geração de novas ideias. Para Alexandre Castro Caldas, autor de  “Viagem ao Cérebro e a Algumas das suas Competências”, ao exigir maior concentração, a escrita manual ajuda a elaborar e exprimir pensamentos com mais clareza e facilidade.

3. Experiência sensorial e emocional - uma forma de Mindfulness?

Passar para o papel as nossas vivências, traduzindo-as para alguém de quem gostamos ou temos prazer e curiosidade em conhecer, é uma experiência aconchegante. As cartas representam memórias palpáveis, que podemos recuperar a qualquer momento, e são também uma forma saudável e divertida de manter e estreitar relações.       
Além disso, na sua dimensão mais física e sensorial, através do contacto com o papel e a caneta, a escrita de cartas é uma excelente forma de nos desligarmos do mundo online, concentrando toda a energia no momento da escrita. É uma prática que descomprime e relaxa, ajudando-nos a refletir mais profundamente sobre os acontecimentos que queremos partilhar, e muitas vezes, revelando preciosas respostas que não encontraríamos de outra forma.         

Fotografia tirada para o Beautiful Week de abril


4. O offline e o online caminham juntos

Parte da magia das cartas é o contacto sem fronteiras e a sensação entusiasmante de esperar uma resposta. Embora nada substitua o lado físico desta atividade, o mundo online veio abrir espaço para algumas brincadeiras. A app Slowly é um exemplo feliz, que nos permite trocar cartas digitais com pessoas de todo o mundo, colecionar selos,  enviar fotografias, e tudo isso recriando a ânsia de receber um miminho no nosso correio online, através de um ou mais dias de espera, com a notificação de que temos uma carta a chegar. Por cá, sugerimos que experimentem! É uma forma fácil e divertida de conhecer pessoas novas, aprender sobre culturas diferentes e treinar línguas estrangeiras!

Estamos inteiramente disponíveis para trocar cartas com os nossos palavreiros! Caso queiram, enviem-nos um email para palavrapadrao@gmail.com para cedermos a morada! :)

A informação vem daqui:
NY Times What’s Lost as Handwriting Fades
TVI 24 - Hoje é dia de deixar o teclado e pegar no papel e na caneta
Slowly

24 comentários:

  1. Que interessante! Não tinha conhecimento disto. :)

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    1. Obrigada pelo comentário, Rosa! :)
      É uma descoberta e tanto!!

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  2. Escrever, por si só, sempre foi uma paixão. E fazê-lo à mão sempre teve mais encanto, até porque sinto que as minhas ideias fluem melhor se estiver em contacto com a caneta e o papel. No entanto, trocar cartas nunca foi um hábito, ainda que lhe reconhecesse todo o interesse e mérito. Assim que me juntei a um projeto desta natureza, percebi as maravilhas que andava a perder. É uma experiência transformadora *-*
    Já tinha ouvido falar da app, mas ainda não a experimentei

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    1. Sem dúvida alguma, Andreia!! Escrever cartas é uma experiência que aquece o coração!
      Experimenta que vale a pena :D

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  3. Já não me recordo da última carta que escrevi...
    Bfds

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    1. Eis um bom momento para recuperar essa prática :D

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  4. Já escrevi muita carta!!! Bj e gosto da partilha!!!

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    1. Acredito, Gracinha, e que pena que é quando se perde um hábito tão bonito!

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  5. Já participei em trocas de postais no postcrossing mas de cartas nunca, aliás, nem sei se alguma vez escrevi alguma carta à séria. Essa app parece tão fixe, vou experimentar!

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    1. Ahhh está muito mal, tens de experimentar!! É uma delicia, mesmo! :)
      A app é um máximo, vale a pena uma espreitadela :D

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    2. Já instalei, três cartinhas virtuais já cá cantam ehe agora é passar para as verdadeiras!

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  6. Já partilhei imensas cartas, mas lá está, com o aumento da tecnologia e com todas as facilidades que temos, é um hábito que se foi perdendo.
    Acho que a escrita à mão, a ânsia por uma resposta que nunca mais chega, aquela espera pelo carteiro, tudo se torna tão mágico e especial :)
    Já ouvi falar dessa app, tenho de experimentar!
    Beijinhos

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  7. Oooooi

    Eu já fui super adepta da troca de cartas. Entrei no "troca de cartas", no "mundo das cartas", no "amor a carta". Fui bastante ativa por alguns anos. Algumas pessoas iam sumindo, eu encontrava novas pessoas. Por fim; quem sumiu fui eu.
    Nao sei ao certo porque desanimei tanto. É uma experiência realmente maravilhosa em varios niveis. Esses dias tenho até pensado em voltar, acredita?

    Beijo
    www.beinghellz.com.br

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  8. Boa tarde, já escrevi muitas cartas, depois entrou em esquecimento, no entanto, acho a carta mais interessante que o mail, este só é utilizado pela rapidez de chegar ao destino.
    Boa semana,
    AG

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  9. Eu adoro escrever cartas :) E faço-o até com bastante frequência.

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  10. r: Sem dúvida! Nós é que nem sempre sabemos apreciar estes presentes da natureza. Mas acredito que ainda podemos lá chegar :)

    Beijinho grande*

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  11. Concordo que se desenvolvem várias competências a escrever cartas à mão, vou tentando escrever, mas quase ninguém adere. Concordo, sobretudo, com o estímulo à criatividade, não é fácil ter uma folha em branco e começar a escrever :) beijinhos

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  12. Ando com uma vontade enorme de escrever uma carta a uma grande amiga que vive, neste momento, no Canadá. Sempre gostámos muito de escrever e acho que já estive mais longe de lhe propor uma troca de cartas entre nós. Seria tão bom!

    Beijinhos

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  13. Não conheço, mas parece-me muito interessante.
    Sou dum tempo em que se escreviam muitas cartas, um bom hábito a preservar.

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  14. Confesso que desconhecia está “ terapia” das cartas . E quantas cartas escrevi , quantas vezes esperei o carteiro no canto do jardim para receber aquele cheirinho do papel onde se misturam tantas emoções !
    Sem dúvida que enquanto escrevemos o nosso cérebro está sempre atento
    Muitos parabéns pelo belíssimo post de hoje !
    Bji

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  15. Gostei tanto deste post! Eu não escrevo cartas - de todo - mas adorei ficar a conhecer os benefícios desta prática e em geral, da escrita manual. Também vejo esse encanto da escrita de cartas mas por alguma razão, nunca me meti nessa aventura. Ainda assim, depois disto, vou apostar um bocadinho mais na escrita de papel e caneta!

    Muitos beijinhos,
    BLOG Há mar e Mara & Instagram

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  16. Que artigo maravilhoso.
    Eu amo escrever no papel e sinto que consigo mais resultados do que na tela do computador.
    Infelizmente quem trabalha com a criatividade tem que ficar buscando vários métodos para incentivá-la diariamente <3
    E sinto que colocar minhas ideias (mesmo que improdutivas ) no papel, me motiva mais.

    Sai da Minha Lente

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  17. Penso que escrevi a última carta no final do século passado.
    Abraço

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