Arte boa e Arte má

07 março 2019

O que é o que o Pedro Chagas Freitas, o Justin Bieber e o Kenny Ortega têm em comum?
São o estandarte do pechisbeque das suas áreas, a vergonha comercial dos artistas à séria, a CM TV da literatura, da música e do cinema. Nota: o Kenny Ortega, para quem não sabe, dirigiu essa baixeza cinematográfica que é o  High School Musical... mas que me faz chorar mais que o Titanic.
Desafio-vos a pensar quantas vezes já não ouviram dizer "isso não é música..." ou "tu sabes lá o que é literatura a sério". Quantas vezes já não viram colocadas a Arte boa e a Arte má nos pratos de uma balança invisível? 
Agora que já pensaram nisso, vamos refletir. 


É lógico que isto não é a república das bananas e não vamos sair por aí a dizer que a Margarida Rebelo Pinto tem tanta qualidade literária quanto o Eça de Queirós. A arte também é feita de balizas e critérios, se bem que muito complexos de categorizar, mas acho legítimo pensarmos que, se somos todos tão diferentes, como é possível pensarmos num livro como bom ou mau, à luz de uma concepção generalizada de qualidade? Talvez isso faça sentido para alguns círculos, que faz, mas no dia-a-dia, esta dualidade básica de Raul Minh'Alma Vs Tolstoi, Jonas Brothers Vs Suede (fui buscar um nome ao calhas ao cartaz do Primavera Sound Barcelona), Stanley Kubrick (realizador do Laranja Mecânica) Vs Sam Taylor-Johnson (realizadora das 50 Sombras) é pura e simplesmente uma questão de picardia. 

Há lugar para todos. 

Há lugar para a minha mãe se deliciar com o Nicholas Sparks enquanto eu perco a cabeça com o Afonso Cruz, alternando com o John Green (de quem leria até a lista de compras). Há lugar para o Conan Osíris fazer música lado a lado com o Bob Dylan, o Mc Kevinho e o Yiruma. A Joana Vasconcelos pode encantar como o mesmo nível de entusiasmo que o Mapplethorpe pode chocar. E está tudo bem, porque o mundo é grande o suficiente para uns gostarmos de Pop e outros de música de Zumba sem termos de empenhar o anel de rubi! 


O importante é refletir no facto de que, apesar de existir uma validação da qualidade da arte - seja na música, no cinema, na literatura, nas artes plásticas e por aí adiante - isso não torna menos válido o consumo de coisas que estão fora desse círculo...Desde que nos traga alegria, entretenimento, reflexão e curiosidade, é bom pela certa!

Além disso, se gostássemos todos do mesmo, o que era feito do amarelo? :-) 

Daniela




3 comentários:

  1. Se há coisa que me mexe com os nervos é este constante sentido de comparação. E sinto que uma fatia considerável da sociedade não consegue falar dos seus gostos sem ter que colocar os dos outros em causa, o que é triste. Porque há, efetivamente, lugar para todos.
    Naturalmente, se eu gosto do artista x, para mim, será melhor do que o y, porque me inspira mais. Mas quem sou eu para colocar em causa a qualidade do artista y? Não é porque não gosto que isso passa a ser uma verdade universal.

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  2. Incrível! Todos temos gostos, vivências e sentimentos diferentes.
    A arte não é uma ciência exata, e isso reflete muito na maneira como ela chega até seu receptor.
    Como você bem falou, existem alguns critérios para avaliação. Mas quem somos nós para dizer que uma obra/artista é de todo má?

    O que importa são as marcas que cada um deixa.

    https://naoseavexe.blogspot.com

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  3. É isto. Somos diferentes, logo a probabilidade de gostarmos de coisas diferentes é muita.
    "Desde que nos traga alegria, entretenimento, reflexão e curiosidade, é bom pela certa!" são gostos e são todos totalmente válidos, uma coisa é discuti-los de forma saudável e outra é criticar a todo o custo, sem respeito, só porque sim e porque é diferente.
    Ainda bem que assim é!

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